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Arquivo mensal 3 Setembro, 2021

Dia 2 – A Bordo do Connecting Europe Express – Por Carlos Cipriano, Jornalista do Público

COVILHÃ – MADRID
No segundo dia de viagem o Connecting Europe Express saiu da Covilhã às 8h20 e chegou a Madrid às 15h21, cinco minutos antes do previsto. No entretanto, as seis carruagens deste comboio tiveram de ser rebocadas por três locomotivas diferentes, provando que, afinal, apesar de todos os discursos em prol da interoperabilidade ferroviária, a realidade demonstra o contrário. Eis as razões:
– Em Vilar Formoso a locomotiva eléctrica da CP deu lugar a uma locomotiva a diesel da Renfe. Do lado espanhol a linha não está electrificada desde a fronteira até Salamanca.
– Em Medina del Campo a locomotiva a diesel foi substituída por uma outra locomotiva espanhola, mas eléctrica porque, dali até Madrid, a linha já tem catenária (fio de alta tensão).
Há, curiosamente, locomotivas que estão preparadas para circular em linhas electrificadas e em linhas sem catenária, mas não foi essa a opção da Renfe para operar este comboio, que hoje, já em velocidade de cruzeiro, teve um ambiente menos festivo.
Em Vilar Formoso a comitiva portuguesa, presidida pelo secretário de Estado dos Transporte, Jorge Delgado, e presidentes da CP e IP, respectivamente, Nuno Freitas e António Laranjo, retiraram-se e o comboio europeu prosseguiu viagem, agora com um representante (um assessor) do governo espanhol a bordo. A travessia das vastas planícies de Castela foi algo monótona – rectas a perder de vista, um balancear suave que convidava a dormitar. Mas houve alguma emoção à passagem por Salamanca. O Connecting Europe Express não tinha paragem prevista, mas deu para ver, durante breves segundos, que havia uma manifestação na estação com ferroviários a defender o regresso dos comboios nacionais e internacionais que a Renfe suspendeu devido à pandemia e que, de mansinho, aproveitou para não repôr em operação, alegando agora que davam prejuízo. É o caso do Lusitânia Expresso, que circulava entre Lisboa e Madrid e que deixou de circular fazendo com que estas duas cidades sejam das poucas capitais europeias que não têm uma relação ferroviária.
Em Medina del Campo o comboio europeu foi aplaudido por uma comitiva do governo regional. E em Madrid, foi a própria secretária de Estado dos Transportes, Isabel de Vera, que presidiu a uma cerimónia, na qual afirmou que “o Connecting Europe Express é um símbolo que representa os valores e objectivos que a União Europeia persegue desde a sua criação – uma Europa Europa livre, culta, unida e interligada, una Europa coesa e uma Europa verde e sustentável.”
Carlos Cipriano
• Carlos Cipriano, natural do Bombarral e residente nas Caldas da Rainha, é jornalista do Público e aceitou pro bono partilhar com o Europe Direct Oeste, Lezíria e Médio Tejo a sua experiência a bordo do Connecting Europe Express durante os próximos dias.
GNR e Guardia Civil em Vilar Formoso.
Recepção em Medina del Campo.
Chegada à estação de Madrid Príncipe Pío.
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Dia 1 – A Bordo do Connecting Europe Express – Por Carlos Cipriano, Jornalista do Público

LISBOA – COVILHÃ
O Connecting Europe Express é uma iniciativa da Comissão Europeia que pretende comemorar o Ano Europeu do Transporte Ferroviário, chamando a atenção para a importância do comboio enquanto modo de transporte amigo do ambiente, mais seguro, mais económico e mais sustentável.
Previsto inicialmente para Julho, aquando do fim da presidência portuguesa do Conselho da UE, este projecto foi adiado devido à pandemia e teve na quinta-feira, 2 de Setembro, o seu ponto de partida com uma conferência realizada em Lisboa dedicada à alta velocidade ferroviária, que contou com a presença da comissária europeia dos Transportes, Adina Valean.
O comboio europeu vai percorrer 26 países e cruzar 33 fronteiras ao longo de 36 dias. Deverá chegar a Paris a 7 de Outubro depois de uma autêntica volta à Europa sobre carris.
A primeira etapa decorreu entre Lisboa e a Covilhã. A composição foi formada por uma locomotiva da CP que rebocava seis carruagens espanholas Talgo. Será este comboio que fará o percurso até Madrid e Hendaya. Depois, devido à diferença de bitola (distância entre carris), será uma outra composição a fazer o percurso pela Europa central. Entretanto, e devido também a uma bitola diferente, um terceiro comboio percorrerá os países Bálticos.
Na verdade já existe hoje tecnologia para fazer circular um único comboio por todos os países do Velho Continente. Há locomotivas interoperáveis e carruagens com eixos que “encolhem” ou “esticam” por forma a que os rodados se adaptem às diferentes bitolas. Mas a comissária Adina Valean diz que preferiram evidenciar as dificuldades que a Europa ferroviária enfrenta ao nível da interoperabilidade.
O primeiro dia de viagem decorreu em ambiente festivo, com governantes, especialistas, técnicos e jornalistas a bordo. Após o Entroncamento, o Connecting Europe Express circulou pela linha da Beira Baixa, cuja paisagem deslumbrou sobretudo os estrangeiros a bordo. É que a linha férrea decorre, durante dezenas de quilómetros, ao lado do rio Tejo.
Às 17h51, com dez minutos de atraso o comboio europeu chegou à Covilhã, concluindo a primeira das suas 35 etapas pela Europa.
Carlos Cipriano
• Carlos Cipriano, natural do Bombarral e residente nas Caldas da Rainha, é jornalista do Público e aceitou pro bono partilhar com o Europe Direct Oeste, Lezíria e Médio Tejo a sua experiência a bordo do Connecting Europe Express durante os próximos dias.
Comissária Europeia dos Transportes, Adina Valean, a dar uma entrevista a uma televisão francesa.
Nuno Freitas, presidente da CP, e Frederico Francisco, coordenador do Plano Ferroviário Nacional.
Governantes portugueses ladeados de responsáveis da Comissão Europeia.
Paragem técnica para cruzar com outro comboio na estação de Sarnadas (Beira Baixa).
Jovens de Tortosendo na estação da Covilhã a oferecer flores aos passageiros.2