
Fonte: Parlamento Europeu REF.: 20260629IPR46203
Fotografia: Multimedia Centre
- Em Portugal, 94 % dos inquiridos consideram a União Europeia (UE) um espaço de estabilidade, o valor mais elevado entre os Estados-Membros; a média da UE subiu oito pontos percentuais e é agora de 75 %
- 90 % dos portugueses consideram que a adesão à UE foi benéfica, um valor acima da média da UE (74 %), com 43 % dos portugueses a salientarem o reforço da voz de Portugal no mundo
- A UE deve desempenhar um papel mais importante na proteção dos cidadãos contra crises mundiais e riscos de segurança, consideram 90 % dos portugueses inquiridos e 68 % dos europeus
- Para 92 % dos portugueses e 73 % dos europeus, a UE deve ter mais meios para enfrentar os desafios globais
Cada vez mais portugueses vêm a União Europeia como um lugar de estabilidade, num contexto de incerteza geopolítica, revela o Eurobarómetro do Parlamento Europeu, publicado quarta-feira.
Em Portugal, a percentagem daqueles que concordam que a UE é um lugar de estabilidade num mundo conturbado é de 94 % (mais cinco pontos percentuais desde o outono 2025). Já a nível europeu, o valor é o mais elevado da última década, atingindo 75 %, o que representa um aumento de oito pontos percentuais face ao último estudo.
A atual conjuntura mundial contribui para que 55% dos portugueses e 58 % dos europeus se sintam pessimistas em relação ao futuro (um aumento de sete e seis pontos percentuais, respetivamente). Contudo, 41 % dos portugueses e 38 % dos europeus dizem estar otimistas.
“Incerteza” e “esperança” são as emoções mais escolhidas pelos cidadãos para descrever o seu atual estado de espírito. Apesar da elevada incerteza sentida por 49% dos inquiridos em Portugal, 48 % dizem ter esperança. Estes valores são mais elevados do que a média da União Europeia, em que 44 % dizem sentir incerteza e 43 % dizem ter esperança.
«Num momento de incerteza global, os europeus veem cada vez mais a União Europeia como um farol de estabilidade. Num mundo conturbado, essa confiança é o maior trunfo da Europa. E traz consigo uma expectativa clara para que continuemos a agir de forma decisiva, proporcionando segurança, prosperidade e oportunidades aos nossos cidadãos», afirmou a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola.
Quarenta anos depois de Portugal entrar na União Europeia, nove em cada dez portugueses consideram que o país beneficiou com a adesão, posicionando-se entre os europeus mais euroentusiastas, apenas atrás do Luxemburgo, da Dinamarca (ambos os países com 91 % de inquiridos a responder o mesmo) e de Malta (94 %). A média europeia de 74 % equivale a um máximo histórico registado, pela primeira vez, em janeiro/fevereiro de 2025.
Com esta adesão, a União Europeia dá aos portugueses uma voz mais forte no mundo: é o que dizem 43 % dos portugueses inquiridos sobre os principais benefícios de Portugal ser um país Estado membro da UE. De seguida estão a contribuição para o crescimento económico (40 %) e novas oportunidades de emprego (31 %).
Para os europeus, esses benefícios recaem mais sobre a defesa da paz e o reforço da segurança (40 %), e a melhoria da cooperação entre Estados-Membros (34 %), seguindo-se o crescimento económico (28 %).
Portugueses querem UE focada na competitividade, economia e indústria
Para reforçar a sua posição no mundo, os portugueses consideram que a UE deve centrar-se na competitividade, economia e indústria (43 %) e na segurança e defesa (38 %). Esta última é prioritária para os europeus (39 %), que põem em segundo lugar a independência energética (35 %; mais seis pontos desde o outono de 2025).
Na perspetiva de 90% dos portugueses inquiridos, o papel da União Europeia contra as crises mundiais e os riscos de segurança deve ser reforçado no futuro – em linha com 68% dos europeus. A grande maioria (97 %) dos portugueses gostaria que os Estados-Membros estivessem mais unidos no contexto atual e afirmam que a UE deve promover o respeito pelo direito internacional (96 %). A média europeia também é alta, registando 90 % dos inquiridos a partilhar estes sentimentos. Ao mesmo tempo, tanto os portugueses (92 %) como os europeus (73 %) defendem que a UE precisa de mais recursos para enfrentar os desafios mundiais.
Boa qualidade de vida, mas receio pelo futuro
A maioria dos portugueses (74 %) estão satisfeitos com a sua qualidade de vida. No entanto, este valor é inferior à média europeia, que atinge os 83 %. Este valor desce para 47% em Portugal, e para 40 % na UE, entre os que afirmam ter dificuldades em pagar as suas contas na maior parte das vezes.
Em termos sociodemográficos, os jovens portugueses, entre os 15 e os 24 anos e entre os 25 e os 39 anos, são os mais satisfeitos (com 90 % e 74 % respetivamente). Também aqueles com um nível de escolaridade mais elevado (85 %) dizem estar satisfeitos.
Entende-se por “qualidade de vida”: a saúde física e mental (para 61 % dos portugueses; 51 % dos europeus), a qualidade e acessibilidade dos cuidados de saúde (para 50 % dos portugueses; 46 % dos europeus) e a situação financeira (para 48 % dos portugueses; 49 % dos europeus).
Quando questionados sobre o que poderia melhorar para aumentar a qualidade de vida, os inquiridos apontaram a situação financeira e capacidade de fazer face às despesas do dia a dia (53 % em Portugal e 42 % na média europeia).
Cerca de quatro em cada dez portugueses (39 %) preveem que o seu nível de vida diminua nos próximos anos. Portugal é o segundo país da UE em que esta perceção é mais elevada, situando-se apenas atrás dos franceses, que atingem os 44 %. Entre os europeus, cerca de três em cada dez (29 %) partilham deste sentimento. Em Portugal, 39 % dos inquiridos acreditam que o seu nível de vida deverá manter-se inalterado – 50 % dos europeus concordam. Apenas 14 % dos portugueses estimam que o seu nível de vida aumente (18 % dos europeus).
Inflação deve ser uma prioridade para o Parlamento Europeu
A opinião de que a economia tem de melhorar está em linha com as respostas dos europeus à pergunta sobre quais os temas mais urgentes a ser tratados pelo Parlamento Europeu.
A principal prioridade dos portugueses para o Parlamento Europeu é a inflação, o aumento dos preços e o custo de vida (65 %; superior à média europeia de 47 %, que registou um aumento de seis pontos percentuais). Seguem-se a saúde pública (62 %) e a economia e criação de emprego (47 %). Esta última surge em segundo lugar na média europeia (35 %), à frente da defesa e segurança da UE (34 %).
A paz é o principal valor a ser defendido, de acordo com 58 % dos portugueses e 51 % dos europeus.
Sete em cada dez portugueses querem que o Parlamento Europeu desempenhe um papel mais importante
A imagem do Parlamento Europeu é positiva para 58 % dos portugueses (contrastando com 38 % dos europeus) e 69 % consideram até que esta instituição deveria desempenhar um papel mais importante. Seis em cada dez europeus pensam o mesmo, e afirmam ainda estar satisfeitos com o funcionamento da democracia na União Europeia, o que representa um aumento de cinco pontos percentuais desde novembro de 2025.
Pode consultar os resultados completos no sítio Web do Eurobarómetro.
Contexto
O Eurobarómetro da primavera de 2026 do Parlamento Europeu foi realizado pela agência de estudos Verian entre 9 de abril e 4 de maio de 2026 nos 27 Estados‑Membros da UE. O inquérito foi realizado presencialmente, com recurso a entrevistas adicionais por videoconferência em alguns Estados-Membros (Chipre, Dinamarca, Finlândia, Malta e Suécia). No total, foram realizadas 26 421 entrevistas. Os resultados da UE foram ponderados de acordo com a dimensão da população de cada país.